por Vitor Henrique
Supergirl: Uma história cheia de cicatrizes e lutos
Supergirl se destaca pela atuação de Milly Alcock, que entrega uma Kara mais emocional e perdida após a queda de Krypton. O filme equilibra drama e humor, com uma jornada de identidade, família e pertencimento. Apesar de um vilão genérico e alguns problemas no desenvolvimento de personagens, a aventura funciona ao explorar a relação da heroína com Krypto e sua conexão com Superman.
Chegando aos cinemas no dia 25 de junho, a história da garota de aço emociona e diverte trazendo uma mensagem de superação

Supergirl tem ganhado bastante os holofotes nos últimos anos, principalmente após a série de TV da CW em que a heroína era interpretada pela atriz Melissa Benoist. Após 42 anos, a heroína volta as grandes telas para dar continuidade ao novo universo DC sob o comando de James Gunn e Peter Safran, dessa vez interpretada por Milly Alcock em uma versão difernte do que a sua última adaptação.
Aqui acompanhamos Kara comemorando seus 23 anos e para isso ela resolve ir até um bar em um planeta de sol vermelho, já que assim estaria sem poderes e poderia se embebedar sem nenhum problema, até que ela acaba sendo interrompida por Ruthye uma garota que busca vingança contra Krem dos montes amarelos que assassinou sua família, apesar da recusa inicial, a heroína acaba tendo sua nave roubada e seu cachorro, Krypto, envenenado pelo vilão. Agora, a dupla precisa ir atrás de Krem para buscar o atídoto que pode salvar Krypto.

O roteiro de Ana Nogueira é um dos pontos altos do filme, sabendo transmitir a história com clareza, equilibrando muito bem drama e humor, fazendo com que o público consiga sentir a dor de Kara, o ponto fraco seria na falta de criatividade ao lidar com os poderes da garota de aço, já que em várias situações a história deixa ela sem total capacidade dos seus poderes já que do contrário a situação seria resolvida em minutos.
Krem é um vilão totalmente genérico, ele só está ali pra ser o motivo da jornada das protagonistas, e mesmo recebendo mais profundidade que a sua versão das HQs, continua sendo totalmente genérico e esquecível. O roteiro até tenta dar alguma personalidade pra ele o colocando como um traficante de mulheres adolescentes, mas essa trama é basicamente secundária e só vai ser revelada na metade do filme, e não é nem de longe o motivo da caçada.
Ruthye também não tem muito o que acrescentar, a sua jornada de vingança apesar de interessante não convence o telespectador, ela fica apenas repetindo a mesma frase sem parar enquanto é carregada pela Supergirl universo a fora com uma espada e um sonho. Muito disso se deve justamente a ela ser uma criança de no máximo 12 anos, que não sabe lutar, não tem poderes e nem nada do tipo, é como se ela fosse uma espécie de baby yoda só que sem a fofura do bonequinho verde, a amizade com a Kara é interessante mas não tem desenvolvimento o suficiente para o público se apegar, já que elas só parecem estar juntas por obrigação.
Milly Alcock é a alma do filme, a atriz mostra que mereceu ser escolhida, ela vai do drama ao humor de uma maneira leve e carismática. Sempre que está em tela, é impossível prestar atenção em qualquer outra coisa além da Supergirl, justamente graças ao talento da atriz, isso faz com que o público se conecte com a história de Kara e sinta a dor que ela carrega, seu amor por Krypto e sua raiva ao não conseguir se encaixar.
A jornada de Kara para tentar se encontrar no universo, cria um contraponto perfeito com o Superman de David Conreswet, enquanto nosso homem de aço vê a Terra com seu lar, a garota se sente perdida depois da explosão de Krypton e mesmo que veja Clark como sua família, pra ela o único que a entende é Krypto e isso explica porque a captura dele por Luthor no filme anterior era tão significativa para o Super em não desapontar a Kara.
Os flashbacks de Krypton reforçam ainda mais esses sentimentos, notamos como Kara amava seu lar e sua cultura, estando até mesmo disposta a ser sacrificada junto de todos, apenas para não se sentir sozinha. Ao longo dessa jornada, a heroína finalmente encontra as respostas que precisa ao aprender que Krypton não morreu e sua cultura permanece viva enquanto ela e Clark continuarem a fazer o bem e lutando em nome dos mais fracos, sem deixar que ninguém se corrompa no meio do caminho e que a vingança não é a única saída mas as vezes é necessário sujar as mãos uma última vez em prol de não obscurecer uma alma pura.

Jason Momoa faz seu retorno ao universo DC vivendo Lobo, um caçador de recompensas imortal que não liga pra nada além de dinheiro. É possível perceber que o ator está se divertindo com o papel que sempre sonhou, por isso parece muito mais natural do que quando vivia o Aquaman no antigo universo, o personagem tem uma participação pequena e sem muita relevância mas ainda sim consegue firmar sua presença em tela e se tornar um personagem marcante sem roubar a presença de tela da nossa protagonista.
Supergirl é um filme que abraça bastante o espaço e a inspiração em Star Wars que Gunn sempre fez questão de dizer que era a sua principal inspiração pra esse novo universo. As cenas de luta e a direção de Craig Gillespie combinam de um jeito único, fazendo você notar a força emocional e física da Supergirl, que apesar de ser um filme dentro do padrão de super-heróis, está longe de ser um filme esquecível.
Algumas decisões, principalmente em relação a origem da Kara, fazem pensar como Ana Nogueira vai adaptar outras histórias já que ela é a roteirista do filme da Mulher Maravilha e dos Titãs para esse novo universo, com o primeiro já sendo escrito, deixando a curiosidade em como a maior heroína da história irá surgir no novo DCU, só nos resta aguardar para ver.
Supergirl não é um filme épico, mas firma o novo capítulo da editora nos cinemas. A trama apesar de genérica, consegue prender o espectador numa aventura que parece perfeitamente tirada dos quadrinhos, e quando analisamos com a história original é perceptível notar que 70% da história foi adaptada mesmo com mudanças ao passar para as grandes telas. Milly Alcock merece receber todo os elogios pelo filme, sua química com David deixa o público ansioso por uma parceria dos Super primos nos próximos filmes.
No fim, a trama consegue se sair bem, tirando risadas e choros dos espectadores, cenas de ação fantásticas (quiçá melhores que as de Gunn em Superman) e uma trilha sonora que te diverte. É um filme que com certeza vale a pena ver nos cinemas, e se você possui pets em casa se prepare para se identificar e talvez até chorar com a ligação entre Kara e Krypto.