por Joao Miranda
Supergirl aposta na humanidade de Kara para marcar o novo Universo do DCU
A equipe de Supergirl passou pelo Brasil para divulgar o filme e falou sobre a construção da personagem, a adaptação de Mulher do Amanhã e o novo momento da DC. Reunimos os principais destaques da coletiva e nossas impressões sobre o longa.
Supergirl é a super-heroína que precisamos e chegou para deixar sua própria marca
Entre os dias 13 e 15, durante o fim de semana do jogo do Brasil, a equipe de Supergirl passou pelo Rio de Janeiro para uma série de eventos promocionais. Milly Alcock, Ana Nogueira, Craig Gillespie e Peter Safran participaram de uma coletiva de imprensa no Aeroporto Santos Dumont antes de retornarem aos Estados Unidos.
Um dos assuntos que mais divertiu a equipe foi a experiência de acompanhar o jogo da Seleção ao lado dos brasileiros. Ana Nogueira, filha de brasileiro, comentou que não vivia esse clima desde a infância.
A mediação ficou por conta de Aline Diniz, que conduziu a conversa com o elenco e os produtores.

Vestir a capa pela primeira vez
A primeira pergunta foi para Milly Alcock sobre o momento de vestir o uniforme da Supergirl.
“Bom… colocar o traje pela primeira vez foi interessante porque foi um ano antes de começarmos a gravar Supergirl, obviamente no filme do Superman. Eu lembro de colocar o uniforme para fazer aquela cena e uma das produtoras começou a chorar. Perguntei se ela estava bem e ela respondeu: ‘Estamos tentando fazer esse filme há cinco anos’. Foi aí que entendi a responsabilidade, não só com os fãs, mas também com todas as pessoas que trabalharam para esse filme existir.”
A reação do público
Em seguida, Craig Gillespie falou sobre finalmente mostrar o filme para o público.
“É tão gratificante… Para mim já faz quase dois anos que estamos trabalhando nisso. Passamos um ano inteiro na pós-produção, ajustando efeitos visuais. Quando finalmente mostramos para as pessoas e vemos suas reações… estivemos no México e isso realmente me emociona. Ver as pessoas reagindo à Supergirl que a Milly deu vida e ao que a Ana escreveu… estar fazendo uma personagem tão complexa e receber essa resposta do público é incrível.”
Uma homenagem brasileira
Ana Nogueira também comentou a adaptação de Supergirl: Mulher do Amanhã e a presença de brasileiros no projeto.
“É muito legal, né? É surreal também. Estou muito feliz em trabalhar com brasileiros. Para mim é como um sonho realizado. Há uma pequena referência que colocamos para homenagear a Bilquis Evely em um dos planetas que aparecem no filme.”
Por que Supergirl agora?
Peter Safran respondeu por que esse era o momento certo para produzir um filme da personagem.
“A Supergirl é uma personagem muito importante para a DC. Vocês tiveram um gostinho dela em Superman, mas sabíamos que havia muito mais para contar. Toda a tragédia, todo o trauma que ela viveu… queríamos que ela encontrasse seu lugar nesse universo. Quando a Ana entregou o primeiro tratamento do roteiro, eu e James Gunn olhamos um para o outro e dissemos: ‘Esse será o próximo filme’.”
No fim da coletiva…
No encerramento, a equipe respondeu qual superpoder gostaria de ter. Craig Gillespie e Peter Safran escolheram recuperação acelerada, brincando que assim poderiam tomar quantas caipirinhas quisessem. Já Milly Alcock e Ana Nogueira disseram que prefeririam a supervelocidade, afirmando que voar é superestimado.
Crítica | Supergirl
Aqui começo minhas impressões sobre o filme, complementadas pelas respostas da própria equipe durante a coletiva.
Supergirl adapta a HQ Mulher do Amanhã. O filme ainda presta uma homenagem à brasileira Bilquis Evely.
Diferente dos quadrinhos, que seguem um caminho mais introspectivo e fantástico, o longa aposta em uma identidade própria entre a ficção científica e o cyberpunk. Isso aparece principalmente na adaptação de Krem, que ganha características próprias e um desenvolvimento que evidencia ainda mais sua crueldade.
Ainda assim, o roteiro preserva diversas falas, momentos e elementos fundamentais da HQ, especialmente tudo o que envolve Ruthye, Kara e a tragédia de Krypton.
Após uma pergunta de Ícaro Rodrigues, do Estação Nerd, Milly Alcock comentou a importância do Krypto para a personagem.
“(…) Eu acho que a relação da Kara com o Krypto representa todo o mundo dela. Ele esteve presente quando ela ainda vivia com a mãe, esteve em todos os lugares pelos quais ela passou. Representa sua infância, suas lembranças e tudo aquilo que ajudou a formar quem ela é.”
Craig Gillespie dá personalidade própria ao filme
Diferente do que muitos podem imaginar, Supergirl não tenta reproduzir exatamente o estilo de James Gunn.
A fotografia destaca as diferentes cores dos sóis e busca traduzir a essência emocional dos personagens, embora não alcance a grandiosidade visual dos quadros desenhados por Bilquis Evely. Em alguns momentos, também fica a sensação de que o universo poderia explorar uma diversidade maior de planetas e espécies alienígenas.
Por outro lado, as cenas de ação funcionam muito bem e valorizam tanto as habilidades quanto a moral de cada personagem.
Jason Momoa também surge como um excelente Lobo, trazendo força, humor e uma presença muito fiel aos quadrinhos.
Craig explicou que toda essa agressividade da personagem foi construída visualmente.
“(…) Quero que o público fique preocupado com ela. Quero que sinta medo de que ultrapasse determinados limites. Tudo isso foi pensado junto da fotografia para tornar essa jornada emocional e visceral.”
Sobre Jason Momoa, ele comentou:
“(…) Foi muito divertido ver essa dinâmica. Durante meses tínhamos uma Kara extremamente séria, agressiva e focada em sua missão. Então entra Jason Momoa, completamente carismático. Os dois criaram um equilíbrio muito divertido, com muito improviso.”
Milly Alcock é o coração do filme
Ana Nogueira constrói um roteiro que aprofunda o trauma vivido por Kara.
Enquanto os quadrinhos muitas vezes trabalham esse sofrimento nas entrelinhas, o filme escolhe verbalizar seus conflitos e explorar seu luto de maneira mais direta.
Sobre isso, Ana comentou:
“(…) Todos nós somos resultado das nossas relações. A relação dela com Superman importa, mas é apenas uma parte da história. Quis explorar toda a sua família, seu passado e sua personalidade.”
Mesmo deixando algumas perguntas em aberto e exigindo certa suspensão de descrença em alguns momentos, o filme trabalha temas como trauma, violência e objetificação feminina.
Parte da identidade do longa depende diretamente da atuação de Milly Alcock.
Ela entrega humor ácido, tristeza, ironia, força e vulnerabilidade, compondo uma Kara extremamente humana.
Craig Gillespie resumiu bem essa escolha.
“(…) Ela passa por tantos traumas. É uma heroína profundamente humana. Não está em um pedestal. É complicada, cheia de falhas e não pede desculpas por isso. Milly realmente arrasou.”
Peter Safran também reforçou essa ideia.
“(…) A história fala sobre o peso que carregamos por quem amamos. Essa era uma mensagem muito importante para nós.”
Uma produção feita por quem queria estar ali
Em outro momento da coletiva, Aline Diniz perguntou sobre a escolha da equipe criativa.
Peter Safran respondeu algo que resume muito bem o espírito do projeto.
“(…) James e eu sempre falamos que queremos voluntários, não recrutas. Pessoas que realmente queiram contar essas histórias. Craig, Ana, Milly, Jason… todos queriam estar aqui. Acho que isso aparece no filme.”
Essa resposta conversa diretamente com o resultado final.
Mesmo apresentando alguns problemas e sem reinventar completamente o gênero, Supergirl demonstra um carinho muito grande pela personagem e pelo universo que está sendo construído.
Agora resta acompanhar os próximos passos da DC Studios, com Lanternas e Cara de Barro.
Por fim, Supergirl não promete revolucionar o gênero, mas entrega exatamente o que precisa entregar. É uma ótima introdução para a personagem e um dos filmes mais humanos deste início do novo Universo DC.
Milly Alcock conduz a narrativa com segurança e transforma Kara em uma protagonista complexa, vulnerável e forte ao mesmo tempo.
Se esse for o caminho da DC daqui para frente, Supergirl tem tudo para se tornar a grande super-heroína desta geração.
