Notícias 3 novembro, 2026
por Joao Miranda

Sertão de Nossas Memórias é uma visita ao passado para lembrar o hoje

O Sertão de Nossas Memórias de Lúcia Murat, conta não somente o papel da própria Lúcia e seus companheiros (Salgado e Jabur) nos grupos revolucionários durante a ditadura pós AI5 – Ato Institucional 5, conhecido como o decreto mais repressivo e severo da ditadura militar brasileira, também conhecido como “anos de chumbo” – como principalmente […]

 

O Sertão de Nossas Memórias de Lúcia Murat, conta não somente o papel da própria Lúcia e seus companheiros (Salgado e Jabur) nos grupos revolucionários durante a ditadura pós AI5 – Ato Institucional 5, conhecido como o decreto mais repressivo e severo da ditadura militar brasileira, também conhecido como “anos de chumbo” – como principalmente sobre a proximidade e história de duas figuras de extrema importância contra a ditadura: Carlos Lamarca, desertor do exército que ajudou levanto armas e treinando os grupos revolucionários contra a ditadura; e José Campos Barreto, Zequinha, metalúrgico e líder de movimentos operários; ambos muito caçados pela ditadura.

Em seu documentário, Lúcia apresenta cada um de seus companheiros, suas histórias, motivações e trajetórias que levaram até os movimentos revolucionários. Ela ressalta e contextualiza as atitudes da época, em quesito de culpa e moral das atitudes sobre eles e o quanto era necessário na época, pois toda truculência e agressividade dos militares pedia uma resposta à altura visto toda repressão enfrentada.

O filme segue falando a trajetória e refaz o caminho feito por eles do Rio de Janeiro até Brotas de Macaúbas, sertão da Bahia. Vão mostrando lugares nas matas onde se esconderam e faziam seus abrigos, até mesmo seus cantinhos na mata para chorar ou ter privacidade para se deixar sentir o que passavam e o momento em que Lamarca escrevia suas cartas longe das vistas de seus companheiros.

“(…) como a história não é feita de ‘se’, a gente errou.” – Disse Jabur sobre algumas das ações e movimentos que os levaram a serem pegos, Lamarca era muito sentimental e escrevia cartas à esposa.

Há uma inevitável comparação entre Lamarca que era ex-militar e sequestrou o embaixador suíço e Zequinha que ficou no esquecimento em grande parte por ser pobre, metalúrgico e criar movimentos de greves na ditadura.

Um filme cheio de emoção não somente pela história do fim deles sem nem terem encontrado o corpo, mas também da história que se seguiu de batalha da Lúcia, Salgado e Jabur e por toda a população brasileira que sofreu na ditadura, e sua proximidade que remete à volta de tempos sombrios. Mas se tem uma coisa que esse documentário mostra, é que houve quem lutasse com a esperança que essa época passaria, para que tenhamos esperança e perseverança por dias melhores.

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