Colunas: Filmes e Séries 28 julho, 2025
por Redação PerifaCon

Iracema: Uma Transa Amazônica queima em contemporaneidade 

O clássico de 1975 retorna às salas dos cinemas brasileiros, após ser censurado pela ditadura 50 anos atrás.  Iracema: Uma Transa Amazônica é um filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Volta ao cinema com som e imagem restaurados, mas mantém as críticas e apontamentos infelizmente ainda atuais acerca de questões ambientais e sociais. Não […]

 

O clássico de 1975 retorna às salas dos cinemas brasileiros, após ser censurado pela ditadura 50 anos atrás. 

Legenda: Imagem de divulgação.

Iracema: Uma Transa Amazônica é um filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Volta ao cinema com som e imagem restaurados, mas mantém as críticas e apontamentos infelizmente ainda atuais acerca de questões ambientais e sociais. Não é por acaso, que o longa foi censurado pela ditadura militar no ano seguinte à sua estreia pelo seu contraste com o governo. 

O formato de documentário, misturado à ficção, mostra, sem nenhum pingo de pudor ou roteiro ensaiado, a floresta e a comunidade abusada como objetos em troca de um suposto progresso através da construção da rodovia Transamazônica em 1970. Onde, na realidade, só trouxe problemas para a região: queimadas, trabalho escravo, prostituição, desmatamento entre outros. 

Diante do cenário atual, o retorno do filme depois de cinco décadas estreou em mais de 18 salas de cinema em 24 de julho, com um tom ainda mais alto de urgência. A restauração do material nos transporta no tempo numa ambientação que reforça a denúncia, com o granulado em tela da época, a câmera instável e sons, mesmo que não estejam 100% por conta do período original de produção.

A trama segue Iracema interpretada por Edna de Cássia que encontra um caminhoneiro chamado Tião Brasil Grande, interpretado por Paulo Cesar Pereio, e juntos percorrem uma parte da região amazônica após a adolescente ser convencida de que seria melhor ir para outro estado como São Paulo, do que permanecer ali. 

Além, do trocadilho entre a estrada e o subtítulo do filme, o nome Iracema faz referência ou adapta com muita liberdade criativa o romance com o mesmo nome escrito por José de Alencar (1865). Enquanto o escritor romantiza essa relação e personagens com a poesia, o filme, com sua abordagem reativa, traz o outro lado da moeda com palavrões e abusos que cutucam o realismo. 

A restauração não é o suficiente, mesmo após a repercussão positiva das premiações e festivais, inclusive os estrangeiros.  Quando vemos, como telespectadores da própria história, esse espelho do Brasil que insiste muitas vezes em continuar na mesma posição de prometer muito e não entregar nenhuma dessas promessas.

Trailer: Iracema Trailer

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