por Vitor Henrique
Love Kills tem uma boa premissa com uma péssima execução
Ambientado no centro de São Paulo, Love Kills mistura romance e vampiros em uma premissa promissora. Apesar do elenco e da atmosfera funcionarem bem, o filme se perde em um roteiro confuso que deixa mais perguntas do que respostas.
A história adapta a HQ homônima de Danilo Beyruth mas não consegue se salvar de um roteiro confuso

Love Kills chega com uma premissa interessante, um romance no estilo Crepúsculo mas se passando no centro caótico de São Paulo bem no meio da cracolândia, e apesar da premissa ser interessante o filme tem um roteiro totalmente confuso e bagunçado fazendo o público ficar perdido do começo ao fim. A trama acompanha Helena, uma vampira bela e sedutora que frequenta um café e acaba chamando a atenção do jovem garçom, Marcos, que passa a seguir a jovem para descobrir seus segredos.
O elenco é uma das poucas boas partes desse filme, Thais Lago é excelente ao trazer todo o mistério e sensualidade de Helena, ela é encantadora desde a primeira cena e passa com maestria todo o poder de sedução da vampira. Quanto mais nos aprofundamos em sua história, mais queremos saber e ai vem um dos maiores erros do longa, a gente fica curioso pra entender qual a relação dela com o grande vilão e porque está sendo caçada, só que não recebemos explicação para nada disso e assim a protagonista começa e termina a história como um grande mistério.
Marcos também sofre do mesmo problema, o jovem representa o público, alguém simples que está tentando ganhar a vida e tem um chefe abusivo. A história do jovem, porém, também acaba virando um mistério, em alguns momentos dá a entender que ele era um ex viciado que está tentando reconstruir a vida e trazer orgulho para a mãe, só que isso aparece bem casualmente em alguns momentos e ficamos sem entender qual a relação da família com o patrão abusivo.
O restante dos personagens estão lá apenas por estar já que efetivamente eles não tem nenhum papel grande na trama, o clã de vampiros caçadores estão lá apenas para o filme ter algum antagonista e não apresentam nenhum desenvolvimento apesar de terem uma origem ligada a Helena, o filme também não se decide qual o nível da ameaça deles, em determinado momento a protagonista consegue os enfrentar com facilidade, em outro, ela mal dá conta de lutar contra um deles.
A fotografia também não deixa a desejar, junto da direção de Luiza Shelling Tubaldini, consegue transmitir perfeitamente todo o ar psicodélico do filme e também mostrar com sinceridade a realidade do centro marginalizado da grande cidade. A escolha de se ambientar justamente em um lugar desses, te faz imaginar facilmente que se um vampiro vivesse entre nós, ali seria um esconderijo perfeito.

As cenas de ação passam uma sensação mista, apesar de muito bem ensaiadas e dirigidas, elas também demonstram o baixo orçamento de um filme independente, em algumas cenas conseguimos ver apenas sombras dos personagens de tão escura que é a cena justamente pra esconder esses detalhes.
O casal protagonista tem uma química boa, e o roteiro deixa essa sensação de encanto e também de medo, receio, que eles sentem um pelo outro. Enquanto Marcos tem medo de confiar completamente em Helena e parece querer correr dela ao mesmo tempo, do outro lado, ela parece dividida entre o tesão, a vontade de devorá-lo e a vontade de o afastar totalmente para o manter em segurança.
Quando tudo isso passa e os dois finalmente se entregam um ao outro, a cena é romântica e também brutal, sendo literalmente um sexo selvagem com direito a sangue e mordidas afiadas. O único problema, é que essa cena acontece no que deveria ser o ápice do filme, em meio a batalha final com três vampiros atrás deles e uma outra ameaça maior chegando, o casal resolve dar uma escapada e transar no meio de uma sala de necrotério, meio que remetendo ao significado desse romance necrófilo.
A grande ameaça do filme, é justamente um antigo amor de Helena, alguém que ela aparentemente acabou salvando de uma doença e dando a entender que ela o transformou para salvar da morte, ao mesmo tempo que dá a entender que ele a transformou em vampira. O vilão aparece apenas para ser derrotado de uma maneira qualquer e termina o filme do mesmo jeito que começou, sem impacto nenhum.
No fim, Love Kills é uma tentativa de trazer o Brasil como cenário fantástico e até acerta em determinados pontos, porém, a execução é apressada e deixa o público completamente confuso conforme a história avança e se perguntando se realmente valeu a pena passar quase duas horas assistindo.