por Pierre Augusto
“O Ritual” tropeça na própria fé e vira The Office
O exorcismo de Emma Schmidt é considerado o caso mais documentado da história, e agora está sendo retratado em “O Ritual”, que aposta no poderoso elenco de Al Pacino e Dan Stevens, além de uma informação questionável sobre O Exorcista de 1974. O caso de Emma Schmidt é tido como a possessão mais bem documentada […]
O exorcismo de Emma Schmidt é considerado o caso mais documentado da história, e agora está sendo retratado em “O Ritual”, que aposta no poderoso elenco de Al Pacino e Dan Stevens, além de uma informação questionável sobre O Exorcista de 1974.
O caso de Emma Schmidt é tido como a possessão mais bem documentada dos Estados Unidos, o que, consequentemente, serviu de base para inúmeras produções. O longa de David Midell (O Assassinato de Kenneth Chamberlain) usa esse fato como um de seus pilares promocionais, além do peso de um elenco principal conhecido por sua intensidade.
O Padre Joseph Steiger (Dan Stevens, de Legião) recebe a notícia de que seu convento será usado para hospedar Emma Schmidt (Abigail Cowen, de Fate: A Saga Winx), uma jovem que passará por sessões de exorcismo conduzidas pelo Padre Theophilus Riesinger (Al Pacino, de Entrevista com o Diabo). Ao auxiliar no ritual, Joseph colocará sua fé à prova.
Temos aqui uma história clássica de possessão, com todos os clichês e recursos já vistos inúmeras vezes, sem nenhuma tentativa de subversão ou inovação. O único diferencial, e o mais destoante, é justamente o que compromete a imersão na trama: o formato de falso documentário.
Exorcizando The Office
Você se lembra de The Office? Aquela série ambientada numa entediante empresa de papel, com um chefe meio maluco? A linguagem visual usada ali é o mockumentary, ou falso documentário, com câmeras na mão e zooms secos. O Ritual adota essa mesma estética, mas a utiliza de maneira ainda mais exagerada do que uma série já conhecida justamente por ser tosca.
A câmera tremida e os zooms compulsivos nos diálogos não apenas destoam da ambientação, como também tiram o espectador da narrativa a todo momento. É difícil se concentrar em uma conversa tensa quando a câmera vai e volta em cada olhar trocado entre os personagens.
Quanto a Al Pacino e Dan Stevens, dois atores diferentes, mas igualmente intensos, ficam aquém aqui. A impressão é de que estão o tempo todo se contendo. Você sente que algo vai explodir, mas esse momento nunca chega. E quando chega, é fraco e mal dirigido.

No fim, O Ritual funciona melhor como um drama religioso do que como terror. Foca nas dúvidas do Padre Joseph em relação ao tratamento de Emma Schmidt, ao luto pela morte do irmão e à tensão sexual com a freira Rose (Ashley Greene, de Crepúsculo). Levando em conta sua divulgação voltada para o horror, fica difícil entender qual público ele pretende atingir: quem busca um bom terror se frustra, e quem procura um drama dificilmente escolheria esse filme para o fim de semana.
Uma questão curiosa na campanha promocional é a frase: “A história real que inspirou O Exorcista”. Curiosa porque o clássico de 1973 foi inspirado no caso de Robbie Mannheim (ou Roland Doe), e não no de Emma Schmidt, como sugere O Ritual. Ao que tudo indica, o bom senso de Michael Scott (ou a falta dele) também foi usado aqui.
“O Ritual” estreia dia 31 de julho nos cinemas.