por Pierre Augusto
“Um Filme Minecraft” traz referências em piadas terrivelmente boas
Quais as chances de você não conhecer Minecraft? O game foi lançado originalmente para PC e depois para todas as plataformas possíveis, se tornando um fenômeno na internet. Mas a notícia de uma adaptação feita por Jared Hess (Nacho Libre), no formato live-action, não agradou o público. Como adaptar um mundo literalmente quadrado com atores […]
Quais as chances de você não conhecer Minecraft? O game foi lançado originalmente para PC e depois para todas as plataformas possíveis, se tornando um fenômeno na internet. Mas a notícia de uma adaptação feita por Jared Hess (Nacho Libre), no formato live-action, não agradou o público. Como adaptar um mundo literalmente quadrado com atores de verdade?Mas, pelo que parece, a escolha foi certeira.
O jovem Steve (Jack Black de Escola de Rock) sonhava em ser um minerador, mas a vida adulta o alcançou primeiro. Cansado de sua rotina, ele decide partir para a mineração, onde encontra um cubo mágico que abre um portal para o mundo de Minecraft. No meio de suas aventuras, acaba entrando no mundo do Nether e dando de cara com uma bruxa, que deseja o cubo para invadir o nosso mundo. Steve acaba ficando preso nesse universo, mas, em uma medida desesperada, consegue mandar o cubo para fora de lá. É então que o jovem criativo Henry (Sebastian Eugene Hansen, de A História de Lisey), sua irmã Natalie (Emma Myers, da série Wandinha), um jogador profissional (e falido) de um game retrô, Garrett Garrison (Jason Momoa), e a corretora de imóveis Dawn (Danielle Brooks, de Peacemaker) acabam encontrando o cubo e descobrindo o mundo criativo de Minecraft.
Adaptação do mundo de Minecraft
Simplesmente mágico! Para quem cresceu jogando as várias versões de Minecraft, o longa será um sonho virando realidade. Por mais quadrado que tudo seja, a direção de arte conseguiu trazer uma beleza sem perder a essência do game.
Tanto os animais quanto os monstros estão levemente diferentes do padrão que conhecemos, mas isso não é um problema. Ambos ficaram com um design incrível, principalmente ao cumprir a proposta de um filme infantil. Destaque para os porcos do Nether, que ficaram com um visual fofo e esquisito! Uma linda mistura.
No entanto, mesclar um mundo fictício criado por computação gráfica com personagens reais tem seus desafios. Em algumas cenas de muita ação, é possível notar como os protagonistas se destoam do cenário, especialmente nos momentos de batalha.
Personagens
A introdução do longa, mostra a origem do icônico Steve, onde já dita o tom constante que teremos: uma sequência incansável de piadas por minuto e muita exposição nos diálogos, mas sem deixar de lado o bom humor. Jack Black mantém sua figura caricata de sempre, o que pode ser um problema para alguns, devido ao seu estilo exagerado de humor.
Sua principal dupla cômica no filme é Jason Momoa, que, surpreendentemente, encaixou-se perfeitamente com Black. Os dois são tão idiotas quanto parecem no material promocional, o que resulta nas cenas mais divertidas e constrangedoras da produção.
Henry representa o típico clichê do garoto inteligente e criativo em excesso que sofre bullying na escola, um estereótipo visto inúmeras vezes em produções americanas. Isso não seria um problema se fosse bem escrito e bem interpretado, mas não é o caso. Sebastian entrega a mesma expressão em quase todas as cenas. Podemos atribuir parte dessa culpa às interações em tela verde, mas, ainda assim, suas reações sem carisma chegam a ser cômicas (e não no bom sentido).
Um ponto problemático é a participação de Natalie e Dawn, que mais parecem acessórios na história, sendo pouco desenvolvidas tanto na narrativa quanto nas cenas cômicas, que são o ponto forte do filme. Natalie vive em função de seu irmão, sem ter uma cena que funcione isoladamente dele.
Ainda assim, há algo em comum entre esses personagens: mesmo que seja abordado de forma superficial, o filme menciona a limitação da criatividade imposta pela vida adulta. Esse conceito se encaixa perfeitamente em uma adaptação de um game que tem como base a liberdade de construção. No entanto, não espere profundidade nesse tema.
E para os fãs da Jennifer Coolidge (The White Lotus), sim, ela está no longa. Sua participação se resume a pequenos esquetes que servem de alívio cômico (como se o filme já não tivesse humor suficiente). No geral, suas cenas não funcionam tão bem como piada, com exceção de sua última aparição, que surge como o punch de uma piada construída ao longo do filme.
Humor idiota
Apesar dos problemas no desenvolvimento de alguns personagens, são nas interações bobas que o filme encontra seus melhores momentos. Nem todas as piadas funcionam, mas, no geral, cumprem o objetivo ao satirizar o universo caricato de Minecraft.
Mais exagerados que Minecraft são apenas Momoa e Jack Black, que chegam a destoar da realidade. Os dois patetas proporcionam tanto as melhores quanto as piores cenas do filme. Black, por sua vez, traz sua marca registrada: a cantoria. A piada se repete algumas vezes ao longo do filme, mas nunca se encaixa bem, resultando apenas em momentos de vergonha alheia.
Não espere piadas adultas ou sofisticadas. A produção aposta em referências para agradar os fãs do jogo e em uma enxurrada de piadas infantis para conquistar o público mais jovem.
Disponivel para aluguel no PrimeVideo