Colunas: Filmes e Séries 13 agosto, 2025
por Biazoly

Os Enforcados – Estreia nacional choca com uma elite endinheirada, que escolhe a vida do crime

Em Os Enforcados, Leandra Leal e Irandhir Santos mergulham em um thriller tenso e incômodo que expõe o lado mais sombrio do poder. Dirigido por Fernando Coimbra (Conhecido por  “O Lobo Atrás da Porta”), o filme não dá respiro ao espectador, sustentando uma atmosfera de inquietação do início ao fim. A trama acompanha Regina (Leal) […]

 

Em Os Enforcados, Leandra Leal e Irandhir Santos mergulham em um thriller tenso e incômodo que expõe o lado mais sombrio do poder. Dirigido por Fernando Coimbra (Conhecido por  “O Lobo Atrás da Porta”), o filme não dá respiro ao espectador, sustentando uma atmosfera de inquietação do início ao fim.

A trama acompanha Regina (Leal) e Valerio (Santos), casal que leva uma vida aparentemente tranquila na Barra da Tijuca. Desde a morte do pai de Valerio, um dos maiores mafiosos da cidade , eles buscam uma forma de se desvincular do império criminoso da família. Quando as dívidas batem à porta e o tio Linduarte (Stepan Nercessian) pressiona para que Valerio assuma os negócios, a “solução” surge de forma brutal. Ao tentar escapar, eles se afundam ainda mais na violência que queriam evitar.

Imagem: reprodução Folha de São Paulo

O filme acerta ao construir um retrato cínico sobre a elite e sua capacidade inesgotável de se manter no topo, mesmo à custa de sangue e vidas. O diretor (Fernando Coimbra), na pré-estreia do filme, falou que, estamos acostumados a ouvir histórias sobre pessoa carentes que são obrigadas a ir para o mundo do crime. Aqui, é diferente:

´´É a história de uma elite endinheirada, que escolhe a vida do crime por ganância.”

Ao mesmo tempo, a produção caí em certas armadilhas narrativas “comuns” em filmes com essa temática: a violência extrema, às vezes, se aproxima de uma espetacularização do absurdo, o que pode afastar parte do público. Há também o uso recorrente da violência protagonizada por mulheres, um recurso que, sem uma camada extra de problematização, corre o risco de reforçar estereótipos ao invés de subvertê-los.

As cenas de abuso são particularmente delicadas, exigindo preparo emocional de quem assiste. Outro ponto importante de ressaltar, é o reforço de personagens negros em segundo plano. Todos os personagens não brancos representados, são empregados, motoristas ou em algum lugar de subserviência a uma pessoa branca. Nesse quesito, o filme parece aqueles produzidos nos anos 2000, em que esse tipo de ótica, não era vista com problema, ou se quer como uma preocupação.

Imagem: reprodução Festival do Rio

Ainda assim, o trabalho de direção e montagem mantém a tensão de forma exemplar, cada corte parece um golpe.O grande destaque é Leandra Leal, que constrói uma Regina multifacetada: frágil e feroz, calculista e vulnerável. Sua atuação coloca densidade a história e entrega uma personagem memorável.

Os Enforcados não é um filme confortável (e não quer ser). É uma obra que incomoda, provoca e questiona o preço do poder, lembrando que, por trás do dinheiro, quase sempre corre sangue.