Banner 29 junho, 2023
por Marcos Marques

‘O Resgate do Maestro’, de NiLL’, revela sentimentos através de um robô gigante

Trocamos uma ideia com o NiLL, que fala sobre seu novo álbum que já está disponível nas plataformas digitais.

 

Quando se fala do cenário do rap e hip-hop no Brasil, NiLL é com certeza uma dos nomes da cena que tem crescido cada vez mais. 

Dois anos após o lançamento de Blu, seu último álbum, NiLL retorna com O Resgate do Maestro, seu novo álbum que foi lançado hoje nas plataformas digitais. 

Eu termino um álbum e começo o outro. Quando eu terminei o Blu eu estava meio de saco cheio, queria fazer algo mais fácil de fazer, mais simples, só pra lançar as músicas que eu tenho. Fiquei desde 2021 tentando fazer esse disco, mas conforme as músicas foram ficando prontas eu vi que não era o que eu queria

NiLL diz que convidou o DEEKAPZ para a produção do álbum e retocou o disco. Em seguida foi pegando o beat de outros artistas, mantendo o que ele já tinha do álbum. 

Enquanto eu fazia o disco eu também pensava na identidade visual, pra fazer sentido. Levou bastante tempo, tanto na música como na história e ambientação. Tive ajuda de pessoas excepcionais.

O rapper diz que ficou menos apressado para o resultado do disco, dando tempo para pensar melhor nos próximos passos do disco. NiLL diz que a pandemia foi um grande fator, principalmente pelos artistas não saberem o que iria acontecer, devido a turbulência da pandemia. 

Fotos por Anderson Mendes (@mendesculpa)
  • Com o tempo eu fui amadurecendo, estudei mais música de um tempo pra cá. Com certeza é outra fase, é interessante observar, é como Naruto e Naruto Shippuden, que vai sempre mudando. Está sendo uma experiência 360º.

Sobre a ideia narrativa do álbum, NiLL diz que já tinha todo o conceito do álbum, mesmo com outro nome, surgiram diversas surpresas que conforme ele ia experimentando as coisas mudavam. Ele cita a MC Luanna, que quando a viu rimando, já queria que ela estivesse dentro do álbum. 

O mais engraçado da fase de produção são os encontros e as surpresas. Quando eu encontrei o Jamês e o Jota eu pensei que deveria juntar os dois em uma faixa. Eles tem uma relação muito foda, era o que eu precisava no álbum. A parte interessante é a experimentação, por mais que a gente saiba o que quer. 

NiLL conta a história do álbum a partir da visão de um robô que chega à Terra para explorar as emoções de seus habitantes misturando a música com um mundo fantasioso. O robô é claramente inspirado no Gundam, um robô gigante que vem de uma franquia de animação japonesa. 

Eu gosto muito do Gundam, da robótica, não tinha como um símbolo simbolizar melhor o que eu queria mostrar com esse disco. Um robô aventureiro abre muitas portas pra fazer muita coisa. A gente pode moldar o sentimento dele com os ambientes, com a sociedade como um todo. Esse sentimento vem da turbulência da pandemia, é um símbolo que representa um choque de sentimentos. Tinha que ser uma máquina, é através dela que sentimos isso.

Um fator que foi predominante nessa escolha foi pensar como seria o robô dentro de uma favela, fora do cenário normal ou que a gente não espera. E ficou muito bom, graças ao ilustrador, o Cosmar, que fez um trabalho muito foda. Esse foi um ponto crucial da escolha, de como seria juntar dois mundos.

Assim como diversos rappers que fazem referências à cultura nerd em seus trabalhos, NiLL também é um deles. É comum que pessoas negras, sejam brasileiras ou norte-americanas, consumirem bastante esse conteúdo, principalmente pelo boom da globalização de animes nos anos 1990 e também a popularização das séries animadas japonesas na TV aberta aqui no Brasil. 

A gente tem que mostrar que fazemos parte do mundo nerd, que entende e gosta de verdade. Faz parte do nosso dia a dia. Gosto de usar essa narrativa como fio condutor para o mundo real, para transferir no nosso dia a dia. Foi tão natural porque sempre esteve comigo.

NiLL diz que chegou um momento em que as pessoas começaram a pensar que o rap tem a ver com a cultura pop, em especial ao anime, fazendo com que as pessoas sintam nostalgia ouvindo alguma trilha sonora que foi usada como beat por algum artista. 

A fusão do rap com o anime valoriza a nossa cultura do hip-hop, a gente consegue trazer valores e novas mentes. A molecada que está chegando agora precisa ouvir uma ideia boa, principalmente a molecada da quebrada. 

Já sobre o álbum, NiLL diz para as pessoas esquecerem sobre os trabalhos anteriores dele e também ouvir como algo novo, para uma experiência abrangente. 

As músicas são bem diferentes, tem outra sonoridade. Tem que ir com calma, entendendo aos poucos. Espero que as pessoas gostem, comentem bastante. Estou sempre lendo os comentários. Gosto de saber que tem pessoas reais ouvindo.