Banner 9 agosto, 2022
por Raphael Guimarães

‘O Predador: A Caçada’ dá uma aula de como inovar uma franquia

Hollywood tem muito a aprender com o novo filme da franquia ‘Predador’ A franquia cinematográfica Predador sempre foi algo peculiar para a história do cinema. Embora tenha surgido ali nos anos oitenta (como diversas franquias de sucesso), os filmes do alienígena camuflado sempre caminharam por diversos estilos de cinema que bombavam antes dos anos 2000. […]

 

Hollywood tem muito a aprender com o novo filme da franquia ‘Predador’

A franquia cinematográfica Predador sempre foi algo peculiar para a história do cinema. Embora tenha surgido ali nos anos oitenta (como diversas franquias de sucesso), os filmes do alienígena camuflado sempre caminharam por diversos estilos de cinema que bombavam antes dos anos 2000.

Ao mesmo tempo em que a saga se define com típicos filmes de ação militar (nos moldes de Rambo ou Comando Pra Matar), ela também é um épico de ficção científica de monstro (trazendo a comparação óbvia com a franquia irmã Alien) e que coloca o personagem título, o tal do Predador, num hall de vilões icônicos do horror, já que o próprio longa original bebe muito do gênero de slasher (que é a forma mais eficiente de se colocar na história do terror, ao lado de Jason Voorhees e Freddy Kruegger). Ao mesmo tempo em que nenhum longa da família de filmes Predador é uma obra de arte genial, nenhum deles é esquecível ou falha em caminhar de maneira abrangente entre tantos nichos assim.

Portanto, um filme que se proponha a revisitar este universo não apenas tem o dever de surpreender o público com originalidade (trazendo algo de novo para uma franquia de trinta e cinco anos de idade) como também possui a tarefa de contar sua própria história sem desequilibrar esse punhado de gêneros que estão presentes na saga. Por sorte, O Predador: A Caçada faz isso com maestria.

Reprodução: Hulu

O longa, que originalmente se chama Prey (em inglês, Presa), é dirigido por Dan Trachtenberg, diretor que representa o gênero de terror e suspense de maneira eficiente quando se trata de modernizar o “medo”. Se ao dirigir Rua Cloverfield, 10 ele associava o medo ao terror psicológico de manipulação, e na direção do episódio Black Mirror: Playtest a discussão aterrorizante é feita no limiar entre o que é psicológico, o que é real e o que é tecnológico, em O Predador: A Caçada, a tensão assustadora de um alienígena assassino é aliada a algo que, conforme o filme avança, se mostra tão violento para a protagonista quanto uma lança extraterrestre: o desrespeito.

Na história do filme, acompanhamos a protagonista Naru, interpretada brilhantemente por Amber Midthunder (a Kerry de Legião), uma mulher indígena do povo Comanche em 1719. A atuação de Midthunder, também uma pessoa de descêndencia indígena, é emocional e cheia de razão, o que é um diferencial gigantesco para um personagem como a de Naru, que se recusa a permanecer nos locais definidos para as mulheres de sua nação e que escolhe ser uma caçadora, entre outros motivos, só para mostrar que consegue. Em sua jornada por essa provação, a protagonista precisa se aproveitar de sua suposta fragilidade física para derrotar o guerreiro alienígena que está matando animais e pessoas em sua região e que, coincidentemente, não a enxerga como uma possível ameaça.

Reprodução: Hulu

As cenas de ação definitivamente são o que mais enche os olhos ao longo do filme. Seja nos combates contra animais selvagens, as lutas contra os caçadores franceses ou até mesmo os próprios embates com o monstro (aqui interpretado pelo ex-jogador de basquete Dane DiLiegro), não tem como assistir as sequência empolgadas de O Predador: A Caçada sem se arrepiar ou soltar gritinhos de animação toda vez que algo surpreendente (ou até mesmo meio nojento) acontece. Porém, nada disso teria graça caso a história não respeitasse a protagonista.

Enquanto tiros são desferidos, golpes são aplicados e, ás vezes literalmente, cabeças rolam, há um arco de personagem sendo construído e que, ao chegar no fim do filme, está bem estabelecido e consegue com que Naru tenha provado seu ponto de que consegue fazer o que quiser (e que deveria sim ser vista como uma ameaça).