Notícias 2 junho, 2026
por Vitor Henrique

Love Kills tem uma boa premissa com uma péssima execução

Ambientado no centro de São Paulo, Love Kills mistura romance e vampiros em uma premissa promissora. Apesar do elenco e da atmosfera funcionarem bem, o filme se perde em um roteiro confuso que deixa mais perguntas do que respostas.

 

A história adapta a HQ homônima de Danilo Beyruth mas não consegue se salvar de um roteiro confuso

Filme trás os vampiros para a cracolândia/ Fonte: Omelete 

Love Kills chega com uma premissa interessante, um romance no estilo Crepúsculo mas se passando no centro caótico de São Paulo bem no meio da cracolândia, e apesar da premissa ser interessante o filme tem um roteiro totalmente confuso e bagunçado fazendo o público ficar perdido do começo ao fim. A trama acompanha Helena, uma vampira bela e sedutora que frequenta um café e acaba chamando a atenção do jovem garçom, Marcos, que passa a seguir a jovem para descobrir seus segredos. 

O elenco é uma das poucas boas partes desse filme, Thais Lago é excelente ao trazer todo o mistério e sensualidade de Helena, ela é encantadora desde a primeira cena e passa com maestria todo o poder de sedução da vampira. Quanto mais nos aprofundamos em sua história, mais queremos saber e ai vem um dos maiores erros do longa, a gente fica curioso pra entender qual a relação dela com o grande vilão e porque está sendo caçada, só que não recebemos explicação para nada disso e assim a protagonista começa e termina a história como um grande mistério. 

Marcos também sofre do mesmo problema, o jovem representa o público, alguém simples que está tentando ganhar a vida e tem um chefe abusivo. A história do jovem, porém, também acaba virando um mistério, em alguns momentos dá a entender que ele era um ex viciado que está tentando reconstruir a vida e trazer orgulho para a mãe, só que isso aparece bem casualmente em alguns momentos e ficamos sem entender qual a relação da família com o patrão abusivo. 

O restante dos personagens estão lá apenas por estar já que efetivamente eles não tem nenhum papel grande na trama, o clã de vampiros caçadores estão lá apenas para o filme ter algum antagonista e não apresentam nenhum desenvolvimento apesar de terem uma origem ligada a Helena, o filme também não se decide qual o nível da ameaça deles, em determinado momento a protagonista consegue os enfrentar com facilidade, em outro, ela mal dá conta de lutar contra um deles. 

A fotografia também não deixa a desejar, junto da direção de Luiza Shelling Tubaldini, consegue transmitir perfeitamente todo o ar psicodélico do filme e também mostrar com sinceridade a realidade do centro marginalizado da grande cidade. A escolha de se ambientar justamente em um lugar desses, te faz imaginar facilmente que se um vampiro vivesse entre nós, ali seria um esconderijo perfeito.

Helena é a protagonista de Love Kills/ Fonte: Jornal Corporativo

As cenas de ação passam uma sensação mista, apesar de muito bem ensaiadas e dirigidas, elas também demonstram o baixo orçamento de um filme independente, em algumas cenas conseguimos ver apenas sombras dos personagens de tão escura que é a cena justamente pra esconder esses detalhes. 

O casal protagonista tem uma química boa, e o roteiro deixa essa sensação de encanto e também de medo, receio, que eles sentem um pelo outro. Enquanto Marcos tem medo de confiar completamente em Helena e parece querer correr dela ao mesmo tempo, do outro lado, ela parece dividida entre o tesão, a vontade de devorá-lo e a vontade de o afastar totalmente para o manter em segurança. 

Quando tudo isso passa e os dois finalmente se entregam um ao outro, a cena é romântica e também brutal, sendo literalmente um sexo selvagem com direito a sangue e mordidas afiadas. O único problema, é que essa cena acontece no que deveria ser o ápice do filme, em meio a batalha final com três vampiros atrás deles e uma outra ameaça maior chegando, o casal resolve dar uma escapada e transar no meio de uma sala de necrotério, meio que remetendo ao significado desse romance necrófilo.

A grande ameaça do filme, é justamente um antigo amor de Helena, alguém que ela aparentemente acabou salvando de uma doença e dando a entender que ela o transformou para salvar da morte, ao mesmo tempo que dá a entender que ele a transformou em vampira. O vilão aparece apenas para ser derrotado de uma maneira qualquer e termina o filme do mesmo jeito que começou, sem impacto nenhum. 

No fim, Love Kills é uma tentativa de trazer o Brasil como cenário fantástico e até acerta em determinados pontos, porém, a execução é apressada e deixa o público completamente confuso conforme a história avança e se perguntando se realmente valeu a pena passar quase duas horas assistindo.

Desenvolvido com ♥ por TECHD