Colunas 19 fevereiro, 2025
por Redação PerifaCon

“Falando a Real” é uma ode ao mundo terapeutizado

Uma comédia dramática inteligente e sensível, Falando a Real transforma as dores da vida em humor afiado, explorando a amizade, o luto e os desafios da saúde mental com leveza e profundidade.

 

Por Helena Pawlow

O que vem à mente ao lembrar do ator Harrison Ford? Para mim — e para muitos — o arqueólogo e aventureiro Indiana Jones, protagonista da icônica franquia criada por George Lucas e Steven Spielberg, que marcou os anos 80 e 90.

Não que eu queira desconsiderar a extensa filmografia do ator, mas é uma grata surpresa vê-lo interpretar o psicoterapeuta veterano Dr. Phil Rhodes na série Falando a Real (Shrinking), disponível na Apple TV+. Ele divide uma clínica com Jimmy (Jason Segel, que também é co-criador da série) e a jovem Gaby (Jessica Williams).

Ford compartilha o protagonismo com Segel ao longo da temporada. Seus personagens são colegas de trabalho e melhores amigos, dividindo dramas e fragilidades, mesmo que admitir vulnerabilidades não seja algo fácil para terapeutas. Divergem nas abordagens com os pacientes e na vida, mas a cumplicidade entre eles é comovente. Segel está incrível, mas eu te desafio a não se encantar pelo rabugento Dr. Phil.

Falando a Real é uma ótima pedida para quem busca algo leve e engraçado — na medida certa. A trama acompanha Jimmy, um terapeuta e pai que enfrenta o luto repentino pela morte da esposa. Seu comportamento autodestrutivo serve como ponto de partida para explorar os impactos dessa dor em sua relação com a filha, os amigos e o trabalho, especialmente no modo como conduz seus atendimentos. A cada episódio, somos envolvidos pela evolução de cada personagem, tornando a experiência ainda mais envolvente.

A série se desenrola como um bom processo terapêutico. Além da questão da morte, aborda temas como adolescência, envelhecimento, diversidade, casamento, carreira, sexualidade, traumas familiares, maternidade e relacionamentos. Tudo isso sem peso excessivo ou dramatizações exageradas, mostrando que todo mundo sofre — e que cuidar da saúde mental é essencial, inclusive para os profissionais que trabalham com ela.

Sentimentos complexos são tratados de forma leve e, às vezes, até debochada, expondo as incoerências das relações humanas. Falando a Real nos lembra que o segredo está em aprender a lidar com as dores da existência — e, sempre que possível, rir de si mesmo.

As duas primeiras temporadas já estão disponíveis na Apple TV+ e, para a alegria geral da nação, a terceira já foi confirmada.