Banner 19 junho, 2024
por Redação PerifaCon

Clube dos Vândalos: Deslumbrante na ambientação, mas simplista na história

Mesmo com a construção impecável dos anos 60, o filme de Jeff Nichols falha em desenvolver seus personagens e entregar uma trama digna.

 

Texto por: Pierre Augusto

Lançado em 1967 o livro fotográfico de Danny Lyon, “The Bikeriders”, inspirou o diretor Jeff Nichols a desenvolver o filme “Clube dos Vândalos”. Mas ao abordar fielmente a ambientação do final dos anos 60 e o senso de união do moto clube, o filme esquece de aprofundar o elenco de peso que tem em mãos.

A trama se desenvolve no formato de flashbacks, quando o fotógrafo Danny (interpretado por Mike Faist, de Challengers) entrevista Kathy (interpretada por Jodie Comer, de O Último Duelo), esposa de um dos membros da gangue, para descobrir como o clube, formado apenas por colegas motoqueiros, acabou perdendo sua identidade e entrando no mundo das drogas, prostituição e assassinatos. A partir desse ponto, estabelecido no início do longa, temos a introdução de Johnny (personagem de Tom Hardy), líder e fundador do clube, e de Benny (interpretado por Austin Butler, de Duna Parte 2), que, além de ser par romântico de Kathy, também possui uma relação explicitamente paternal com o personagem de Hardy.

O elenco do filme ainda é composto por mais nomes de peso, como Michael Shannon, de A Forma da Água, Boyd Holbrook, de Logan, e Norman Reedus, da série The Walking Dead, além de outros atores menos conhecidos. Porém, esse chamariz perde força quando o diretor não se propõe a aprofundar nenhum deles. A trama se foca em apenas três personagens, fazendo com que o restante do elenco sirva apenas para atrair o público. Nem mesmo Butler, que seria o protagonista, é desenvolvido adequadamente. Suas cenas se resumem a fazer cara de mal diante da câmera e imitar o estereótipo do personagem sisudo e misterioso dos filmes de faroeste.

Em compensação, Tom Hardy carrega todo o peso dramático do longa, representando a figura de liderança e moral do grupo. Sua sensibilidade na atuação transpõe a união dos membros, trazendo à tona o senso de pertencimento que permeia os diálogos durante toda a trama.

A personagem de Jodie Comer protagoniza uma das cenas mais tensas do filme, mostrando explicitamente como o grupo de amigos motoqueiros não é mais o mesmo . Sua performance dita o tom das cenas que destacam a desconfiança com os novos membros, causando a sensação de deslocamento que se repete como ciclos graças às mudanças do clube.

Depois de escantear grande parte do seu elenco, o diretor Jeff Nichols decidiu cuidar com esmero da ambientação situada no final dos anos 60. A imersão na época, o trabalho com as músicas e o som das motos nos transportam automaticamente para o momento em cena, tornando quase impossível não se imaginar pilotando uma Harley Davidson.

“Clube dos Vândalos” aborda o conceito de ascensão e corrupção de “império”, tema já contato em inúmeras histórias na cultura pop. Mas acaba seguindo pela estrada mais simples, trazendo uma trama sem clímax e com personagens com o potencial desperdiçado.

O filme segue disponível nos cinemas a partir do dia 20 de junho

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