Colunas: Filmes e Séries 10 setembro, 2025
por Redação PerifaCon

Falando de ‘Os 3 obás de Xangô’ com Sérgio Machado 

Durante o evento da Premiação Grande Othelo, entrevistamos o diretor Sérgio Machado para falar sobre a religião e cultura do filme. 

 
Imagem: reprodução

Em conversa com o cineasta falamos sobre a maneira como faltam filmes que abordem de maneira tão direta e sensível temas como religiões de matriz africana, ao qual o diretor responde: 

“Os 3 Obás de Xangô(…) é um filme muito pessoal, tem a ver com minha história de vida. Minha mãe é do candomblé e me levava para os terreiros quando era criança, então eu fui cercado e cresci ao redor de muitas dessas pessoas que aparecem no documentário, Mãe Stella de Oxóssi. Então antes de tudo é um filme muito pessoal, tem muito a ver com minha história e o filme me aproximou ainda mais do candomblé, pude me iniciar na religião.” 

A importância da representatividade 

Um país tão diverso, mas ainda longe da representatividade ideal. 

Quando falamos de representatividade no Brasil, é um debate diferente daquele geral, visto que temos uma demografia e cultura diferente e é aí que vemos de fato do que falta de representar. 

Ainda que alguns temas precisam sempre voltar a pauta, tem outros que quase não há. Toda novela vemos alguma parte da trama que tem um grupo sempre indo à algo religioso mas voltado para religiões cristãs, enquanto que poucas falam das religiões de matriz africana, e é nesse ponto que Os 3 Obás de Xangô, até pelo próprio nome do documentário, já se refere à ela. 

Nos últimos anos tem se inserido na cultura popular um pouco dessas religiões, em personagens mais velhos e sábios, e até mesmo em produções fora do país como na última temporada de Deuses Americanos mostrando orixás de maneira bem respeitosa e na animação Castlevania: Nocturne com a personagem Annette tendo poderes vindo dos orixás e principalmente de Papa Legba, ao que na umbanda e candomblé seria Èsù/Exú. 

Todavia vivemos em um retrocesso muito grande com boicotes e discursos de ódio sobre essas produções, os personagens ou lugares religiosos, mesmo que represente uma porcentagem muito pequena ainda sofre como se não tivesse lugar. Enquanto tivermos produções como essas, teremos forças para continuar e cada representação é merecida e terá seu lugar. 

A relação de Sérgio Machado com Jorge Amado 

Também comento com o diretor sobre a trajetória do nosso amado escritor em relação a sua maneira de contar no filme. 

“O Jorge é uma espécie de Sol, ele é um aglutinador. Ele ajudou muita gente (eu inclusive) ele me apadrinhou, como à muitos jovens artistas. Ele é um cara que criou uma geração inteira, e o filme trata dessa relação dele com Carybé e Dorival Caymmi, a relação desses três mitos baianos com a religião afro-brasileira.” 

Os 3 Obás de Xangô estreia 4 de setembro nos cinemas, não percam! 

Por: João Miranda