por Joao Miranda
O brutal, cru e cruel, o primitivo: Genndy Tartakovsky
Em seu painel na CCXP25, Genndy Tartakovsky compartilhou sua origem e trajetória marcante, oferecendo uma verdadeira aula ao público. Vindo da Rússia e morando nos EUA, Tartakovsky contou como se tornou um artista não apenas visual, mas também narrativo. Ele se inspirou em Looney Tunes para explorar formas livres de contar histórias e em quadrinhos […]
Em seu painel na CCXP25, Genndy Tartakovsky compartilhou sua origem e trajetória marcante, oferecendo uma verdadeira aula ao público.
Vindo da Rússia e morando nos EUA, Tartakovsky contou como se tornou um artista não apenas visual, mas também narrativo. Ele se inspirou em Looney Tunes para explorar formas livres de contar histórias e em quadrinhos de Frank Miller para aperfeiçoar seu estilo, tanto nos traços quanto na escrita de roteiros, sempre com um lado mais visceral e cru.
O painel também abordou a criação de O Laboratório de Dexter. Genndy revelou que, inicialmente, desenvolveu a personagem Dee Dee, inspirando-se na dança para criar movimentos articulados e graciosos. Em seguida, criou Dexter como um personagem mais quadrado em suas ideias e design, mas que, ao longo do tempo, se tornou o foco principal da animação. A princípio, os episódios eram curtos e com enredos simples, mas, com o tempo, Tartakovsky elevou a narrativa, incorporando enredos mais complexos, fotografia aprimorada e cenas cinematográficas.

Então, veio Samurai Jack, onde Tartakovsky aprimorou as pequenas cenas que compunham O Laboratório de Dexter. Agora com foco e direção voltados para esse tipo de narrativa, o artista se destacou. As imagens em preto e branco aprimoraram a narrativa em cenas sem diálogos, com quadros que retratam cenários imensos e detalhados, grandes coreografias de luta e histórias contemplativas.
Tudo isso foi elevado em Primal, onde as sequências são quase inteiramente silenciosas. O cenário, o brutal e a história se revelam por meio das expressões dos personagens e de suas ações, demonstrando a genialidade do criador. Tartakovsky sempre brincou com o storyboard, as cores, as sombras e a música. Em Samurai Jack e em Primal, o ritmo criativo e rítmico ajuda a encontrar o humor e a emoção no storyboard, refletindo também na música. Mesmo quando não há trilha sonora, é possível observar o aspecto contemplativo e belo de suas obras.
Na 3ª temporada de Primal, veremos a transformação do personagem, comparando seu estado normal com o de um zumbi revivido. Vamos explorar como ele age, o que permanece de sua essência e o que muda em seus sentimentos, além de questionar se ele ainda guarda lembranças. Todas essas questões serão abordadas na nova temporada, que estreia no dia 11 de janeiro no HBO Max.