por Joao Miranda
Dos grafites, dos romances e dos temores em Deserto de Luiza
Deserto de Luiza conta sobre uma complexidade na adolescência de uma forma diferente. O longa de Alan Minas lançou no Festival do Rio como uma obra tão bonita e contemplativo do ponto de vista de uma adolescente que passa por tantas coisa em um curto período e ainda consegue se erguer novamente. Luiza estava prestes […]

Deserto de Luiza conta sobre uma complexidade na adolescência de uma forma diferente.
O longa de Alan Minas lançou no Festival do Rio como uma obra tão bonita e contemplativo do ponto de vista de uma adolescente que passa por tantas coisa em um curto período e ainda consegue se erguer novamente. Luiza estava prestes a começar a vivenciar a melhor fase da sua adolescência se envolvendo com o garoto que gosta e fazendo mais atividades com sua arte com seu grupo de amigos quando a mãe tem um tipo de surto psicótico após uma briga com o pai e se desestabiliza por completo precisando de todo cuidado possível e com o pai ficando o tempo todo fora, uma tia bem ocupada e uma irmã mais nova, a responsabilidade cai toda sobre Luiza e assim a trama se desenrola com conflitos amorosos, artísticos, na escola, na família e sobre si mesma.
Com Luiza (Nina Prado) como protagonista, filme conta como é passar por provações e amores da adolescência em meio à problemas familiares, sobre vivenciar as amizades, romances, a arte e ainda responsablidades – que não deveriam ser cobradas de uma adolescente – com a família, o que abre as discussões sobre a responsabilidade que cai sobre a mulher mesmo que adolescente ao invés do pai, ela é apenas uma adolescente querendo viver sua vida como os outros. A atuação da jovem atriz Nina Prado é de se emocionar pela personagem e querer que ela só fique bem depois de passar por tudo. Nina ganhou prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio.

Outra bela atuação é de Daniela Fontan, mostrando a face de um lado invisibilizado da nossa sociedade sobre pessoas com transtornos mentais e que precisam de cuidado mas que ainda são pessoas com sonhos e uma vontade de viver. Em sua atuação põe na pele uma sensibilidade de estar passando por isso e ainda ser vista como uma pessoa, enquanto as pessoas a nossa volta procuram saber como agir quando alguém adoece, principalmente quando se é uma mulher e ser abandonada por seu marido, algo recorrente em nossa sociedade. André Luiz Miranda brilha também como o pai de Luiza, uma atuação incrível que nos faz ver algo comum em um homem e faz acreditar em sentir raiva do personagem que foge das responsabilidades à todo tempo possível com a esposa e a filha, ainda que desafiado por Luiza e pela cunhada.

A fotografia, atuações, trilha sonora, narrativa se completam de uma forma linda e mostrar como a arte, principalmente na adolescência, salva vidas, um filme que tem uma profundidade enorme. O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa de Voto Popular.
