por Willian Rodrigues
Novo filme de Pinóquio aposta em humor e linguagem criativa
Nova adaptação aposta em mudanças ousadas, humor autoconsciente e uma linguagem criativa para revisitar o clássico sem se prender ao que já conhecemos Por Willian Rodrigues Antes mesmo de qualquer comparação com versões anteriores, este Pinóquio se destaca por abraçar o risco. Com uma estética charmosa, boas soluções visuais e escolhas narrativas que fogem do […]
Nova adaptação aposta em mudanças ousadas, humor autoconsciente e uma linguagem criativa para revisitar o clássico sem se prender ao que já conhecemos

Por Willian Rodrigues
Antes mesmo de qualquer comparação com versões anteriores, este Pinóquio se destaca por abraçar o risco. Com uma estética charmosa, boas soluções visuais e escolhas narrativas que fogem do óbvio, o filme encontra força justamente naquilo que poderia afastar o público mais conservador. E talvez por isso funcione tão bem.
Apesar do nome, este não é exatamente mais um filme sobre Pinóquio como o público está acostumado. A produção parte, na verdade, de “A Chave de Ouro”, conto russo sobre Buratino, escrito por Alexei Tolstói no fim dos anos 1930, que já funcionava como uma adaptação livre da obra original de Carlo Collodi para o público soviético.
O filme, dirigido por Igor Voloshin, mantém essa essência híbrida. É uma produção russa que mistura elementos das duas histórias enquanto se ancora visualmente na Itália que popularizou o personagem. O resultado é uma narrativa que carrega, desde a base, a proposta de reinterpretar um clássico a partir de outro filtro cultural.
Entre o respeito e a reinvenção

Se tem uma decisão que define o filme, é a recusa em se prender a uma única versão da história. Em vez de tentar reproduzir o imaginário consolidado principalmente pela Disney, a narrativa escolhe dialogar com ele. E faz isso com consciência.
A magia continua presente e funciona bem dentro da proposta. Os efeitos visuais cumprem seu papel sem chamar atenção excessiva, permitindo que a imersão aconteça de forma natural. Mais do que impressionar, eles sustentam o tom de fábula que a história pede.
É na linguagem, porém, que o filme encontra seu diferencial mais interessante. A inclusão do teatro de bonecos como ferramenta narrativa cria uma camada adicional de leitura e ajuda a dar ritmo à história. Esse recurso conversa diretamente com os números musicais, que aparecem em boa quantidade e conseguem manter um equilíbrio entre o lúdico e o envolvente.
O roteiro também demonstra um certo prazer em brincar com as expectativas do público. Em vários momentos, o filme parece reconhecer o que o espectador espera e opta por seguir outro caminho. Isso aparece em piadas rápidas e em decisões que funcionam quase como comentários sobre a própria história.

As mudanças de personagens reforçam essa proposta. Figuras clássicas dão lugar a novas presenças, como o trio de baratas e a Madame Tartaruga, que se encaixam bem dentro dessa releitura. Não é uma substituição arbitrária, mas uma adaptação coerente com o tom adotado.
Curiosamente, essa versão também reposiciona o próprio protagonista. Pinóquio assume, em diversos momentos, um papel mais racional, invertendo a lógica mais tradicional do personagem. Essa escolha ganha força especialmente no desfecho, que não evita arriscar.
Por outro lado, uma ausência chama atenção. A relação do personagem com a mentira, eternizada pelo crescimento do nariz, praticamente não é explorada. Há referências pontuais, mas o filme opta por não desenvolver essa característica como eixo narrativo. Considerando o peso simbólico que essa ideia ganhou ao longo do tempo, a decisão pode soar mais como uma lacuna do que como uma reinvenção.
Vale a sessão?

Mesmo com escolhas que podem dividir opiniões, o saldo é positivo. Trata-se de uma adaptação que entende que revisitar um clássico passa menos por repetir fórmulas e mais por encontrar novas formas de contar a mesma história.
Com estreia marcada para 16 de abril no Brasil, o filme chega aos cinemas com distribuição da Paris Filmes e se mostra uma opção interessante para quem busca uma versão diferente do conto. Especialmente para o público mais jovem, há ainda um incentivo extra para ficar até os créditos finais, que guardam um último momento pensado para encerrar a experiência de forma leve.
Assista o trailer: