por Giulia Cardoso
Dan Fogelman, criador de Paradise, revela segredos e bastidores da série
Showrunner detalha como transformou um mistério político em uma história de sobrevivência e afeto; série já está com os três primeiros episódios da segunda temporada disponíveis
O que acontece quando o mundo acaba, mas a política e os segredos continuam vivos dentro de um bunker? Em Paradise, criada por Dan Fogelman e disponível no Disney+, o público é jogado em um mistério que começa com o assassinato de um ex-presidente e se expande para um cenário pós-apocalíptico intrigante.
Dan (This is Us), conversou com o Portal Perifacon sobre como foge dos clichês pós-apocalípticos para focar no que realmente nos mantém vivos: a comunidade. Com Sterling K. Brown no protagonismo. Os três primeiros episódios da 2ª temporada já podem ser conferidos na plataforma. Confira o papo:
Ao escrever, como você visualiza esses personagens? Você os vê como peças de xadrez em um mistério político ou como pessoas reais tentando sobreviver?
Eu geralmente não penso muito, apenas escrevo. Gosto daquele momento em que você senta na frente do computador e começa a ouvir as vozes na cabeça. Com o Sterling [K. Brown], eu comecei a escrever e nem sabia se ele estava disponível, mas a voz dele já estava lá. Acho que as vozes surgem conforme você escreve, sem uma intenção rígida antes de começar.
O mercado de mistérios de “fim do mundo” está bem saturado agora. O que há de específico em Paradise que te convenceu de que essa era uma história que precisava ser contada?
É verdade, o mercado está lotado. O que achei diferente aqui é que a série começa como um mistério clássico “quem matou o presidente?” mas, no final do primeiro episódio, o mistério muda totalmente para: “o que aconteceu com o mundo lá fora?”. Isso tornou tudo muito maior. Tínhamos dois grandes mistérios: um assassinato dentro de um bunker e a revelação lenta do que destruiu o planeta.
Qual é o seu episódio favorito dessa primeira temporada?
O sétimo, onde vemos como o mundo acabou. Estar dentro da Casa Branca no “Dia do Fim do Mundo” foi especial. Mas também amei o quarto episódio; fizemos o público se apaixonar pelo personagem Billy Pace para depois matá-lo no final. Dá trabalho fazer as pessoas amarem alguém em apenas um episódio, e ver essa reação foi emocionante.
Agora que saímos do bunker e estamos no mundo aberto, como vocês trabalharam visualmente para dar uma identidade própria a esse pós-apocalipse?
Queríamos que fosse distinto. No nosso caso, foi um desastre climático, não zumbis. Além do visual, queríamos mostrar um mundo que está se curando. Existem “caras maus com armas”, como em toda série do gênero, mas queríamos focar em pessoas ajudando pessoas. Minha teoria é que, se o mundo acabasse amanhã, não viraríamos lunáticos instantaneamente. Trabalharíamos com nossos vizinhos para descobrir o que fazer.
Se a primeira temporada foi definida por “mistério”, qual seria a palavra-chave da segunda?Sobrevivência, mas principalmente amor. Temos histórias de amor lindas na segunda temporada. O personagem do Sterling está tentando encontrar a esposa, e mostramos como eles se conheceram. Há muita esperança e a ideia de que sobreviver não é só sobre o físico, mas sobre como você quebra barreiras para construir uma comunidade.